Algumas características, praticamente transmitidas “de pai para filho”, são marcas genuinamente cariocas. No Rio, vinte graus é tão frio que é preciso usar casado. Dar palpite na conversa de desconhecidos e, em pouco tempo “papear” como se fossem velhos amigos, só acontece no Rio. Reencontrar amigos e dizer “aparece lá em casa”sem dar o endereço, também é típico dos caiçaras de cá. Ir ao futebol, no domingo ver seu time vencer (ou perder) para um time de fora e na saída cantar a plenos pulmões“aha..uhu.. o Maraca é nosso” é coisa que não tem preço. Melhor dizendo, não tinha. O estado reformou o Maracanã, de acordo com os ditames da FIFA, e o privatizou. A empresa concessionária já estabeleceu as “regras” de comportamento do público na nova arena, para os próximos trinta e cinco anos. Não mais serão permitidos nesseMaracanã europeizado, entrar com bumbos, bandeiras, ficar sem camisa, ficar de pé na“galera”, comer biscoito de polvilho, mate, e quetais, nem mesmo levando de casa. Só será permitido consumir o que for vendido nas lanchonetes “parceiras” do consórcio. Será que também quererão nos tirar o prazer de gritar gol, passando a exigir aquele comportamento inglês de apenas bater palmas?

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