Primeiro, foi um comentário no blog que, sem maiores informações, só foi publicado na área de comentários. Ontem, obtivemos o relato completo, vindo da fonte mais confiável que se poderia obter, a família. É de arrepiar. Não é admissível acontecer uma situação como essa em um município brasileiro que se situa a menos de cem quilômetros da segunda mais importante capital do país.
O fato
Há nove meses, um casal jovem, ele nascido e criado no distrito, descobriu que a esposa estava grávida. Prudentes, realizaram todo o processo de acompanhamento da gestação no Posto de Saúde de Itacuruçá. Nesse período, todos os exames indicavam que bebê e mãe estavam bem. Até que, no último sábado, completado o ciclo biológico natural, a mãe começou a sentir as “dores do parto”. Familiares, avisados, correram com a parturiente para o Hospital Municipal Victor de Souza Breves.
Purgatório
A parturiente deu entrada no HMVSB na forma rotineira. Examinada pela médica, uma certa doutora Maria Nolasco, foi encaminhada para a sala de pré-parto no sentido de aguardar que a natureza seguisse seu curso e o parto ocorresse de forma natural. O tempo foi passando. A parturiente, cada vez mais acometida por dores beirando o insuportável, pedia a atenção da médica. Recebia resposta ríspidas e, até mesmo palavrões, ditos pela médica que a deveria atender, dizendo que não era a hora, que ela devia esperar. A parturiente dizia não aguentar mais a situação e que preferia que fosse feita uma “cesárea”. A médica, alheia a tudo, gastou quase quarenta minutos falando ao celular.
Inferno de Dante
O primeiro círculo do verdadeiro “inferno de Dante” dessa família começa quando, muito tempo depois, quando a parturiente já não mais tinha forças para reclamar, a Dra. Maria Nolasco decidiu ir avaliar a paciente e, finalmente, optou pela realização de uma“cesariana”. Após acontecer o corre-corre para chamar anestesista e assistentes, realizaram a intervenção. Anestesia (provavelmente raquiana), com a parturiente lúcida e acompanhando todos os movimentos. Aberto o espaço para a retirada do bebê, a frase ouvida pela parturiente foi: “Ih! Deu merda. A gente devia ter feito o que ela pedia antes”. Ato contínuo, a parturiente viu essa médica, Dra Maria Nolasco, erguer um corpo de bebêsem vida e colocá-lo em um saco plástico.
Segundo ciclo do inferno
Comunicados quanto ao óbito do bebê que era aguardado por toda a família, as reações foram as esperadas. O pai perdeu completamente o rumo, agredindo pessoas e objetos. Os avós, mais vividos, engoliram em seco e tentaram dar sentido à nova situação, indo em busca do corpo da neta que tanto esperavam. Receberam-na dentro de uma caixa de papelão. Isso mesmo, uma “caixa de papelão”, como pode ser constatado nas imagens abaixo, fornecidas pela família, onde a avó recebe o corpo do bebê.
Terceiro ciclo do inferno
Nos dias em que estiveram envolvidos com as idas e vindas relacionadas ao verdadeiro calvário que passaram, a família constatou que, pelo menos, outros cinco ou seis óbitos ocorreram no HMVSB. Registraram, em foto (abaixo) o estado da sala de acolhimento dos corpos, onde, além da sujeira reinante, pode-se observar uma cadeira sobre uma das “pedras” onde devem ficar os corpos.
Quarto ciclo do inferno
A Dra. Maria Nolasco abandonou o plantão em torno das duas horas da madrugada. Ao que parece, ela já responde a outra acusação criminal. Segundo informa um dos membros da família, ao conversar sobre o caso com um médico de Seropédica, quando o mesmo soube quem era a responsável pelo procedimento, a resposta foi imediata:“Nunca vocês poderiam ter permitido que essa médica fizesse o parto.”
O quinto inferno
Na busca pelas respostas e punições, os familiares procuraram os responsáveis pela administração do HMVSB. Ameaçaram divulgar o assunto para a mídia. Receberam recomendações de não fazer isso. Estão, hoje, de luto pela morte (ou não nascimento) de um membro da família, esperado com amor e carinho, e sem nenhuma outra alternativa a não ser protestar, protestar, protestar. Pretendem, em breve, fazer uma manifestação pública em frente ao HMVSB.
O depoimento do familiar, na íntegra
“Meu nome é Mauro Guedes morador de Muriqui, na Rua Ceará 33, há 16 anos. Aos Fatos: Minha filha Renata Siqueira Guedes, moradora de Itacuruçá vinha fazendo o pré-natal no posto da mesma localidade de posse de todos os exames solicitados pelo médico, incluindo a ultra onde constava que o bebe estava em perfeitas condições. No dia 29/06/13 (sábado) entrou em trabalho de parto já sangrando, onde sua mãe e seu companheiro imediatamente a conduziram para o hospital Vitor de Souza Breves em Mangaratiba, ao chegarem, ela foi levada para a sala de maternidade próxima ao berçário. Ficou lá por algumas horas tendo contrações. Sua mãe bateu na porta e perguntou à médica se estava tudo bem, pois ela dizia que estava sangrando muito. Então perguntou à médica se não era melhor que fizesse cesária. Disse que era assim mesmo. Conforme o relato da minha filha, ela implorava para que a médica fizesse a cesariana e a médica falando ao celular respondia para que a mesma se calasse, com apoio de uma enfermeira. Após quarenta minutos falando ao celular, médica resolveu fazer a cesariana. Neste momento houve uma correria tremenda no hospital, o anestesista passou correndo por sua mãe e começaram a procurar os instrumentos necessários para a realização do ato cirúrgico. Minha filha, lucida, ouviu a médica falar em alto e bom tom “olha a merda. Antes tivesse feito o que esta menina pediu” neste momento ela retira a criança e pede um saco plástico para colocar a menina dentro. Logo após a médica chama sua mãe perante uma série de funcionários que para ela pareciam ter participado da cirurgia e a comunica que o neném tinha falecido, sem ter o mínimo de sensibilidade e respeito humano para dar tal notícia. Sua mãe recebeu um atestado de óbito assinado pela médica onde diz que não havia dilatação necessária e que minha neta teve uma parada cardíaca. Por volta das duas horas da manhã a médica vai embora sendo que pelo que fiquei sabendo seu plantão terminava as oito da manhã. Fui ver minha neta, numa sala dentro de uma caixa de papelão, já morta. Não podemos permitir isto. Pois o tempo que fiquei la ouvi vários comentários dizendo que e fato corriqueiro. E funcionário falando que não pode expressar sua opinião pois sofre represálias.”

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