De quando nasci até hoje, para mim foi como viver mil anos. Foi barra mudar todos os conceitos de várias gerações. Faz apenas 60 anos que apareceu a televisão, o chuveiro elétrico, a declaração dos direitos humanos e a revista Playboy. Casar era pra sempre, sustentar filhos era somente até que eles conseguissem emprego, as certezas duravam a vida toda e os homens eram os primeiros a serem servidos na mesa de jantar. As avós eram umas velhinhas, hoje, essas mulheres de 50 ou 60 anos viraram um “mulherão”. Todos nos vestimos como nossos filhos. Não existem mais velhos como antigamente. Essa foi uma geração que mudou tudo. Culpa da guerra, da pílula, da internet, da globalização, do muro de Berlim, da televisão e da tecnologia. Até morrer ficou diferente. Na minha rua havia um velhinho que morria aos poucos. E esse velhinho estava com 55 anos. Hoje se morre com 80 ou 90 anos e é um vapt-vupt. Com a pílula, a mulher teve os filhos que quis e ela sempre quis poucos. Como não conseguimos mais sustentar uma família, elas foram à luta e saíram para poder pagar a comida congelada, a luz e o telefone. Se a coisa não vai bem: é fácil a separação, difícil é pagar a pensão. Na realidade, as mães são solteiras aos doze anos. Depois serão chefes de família, com muitos filhos de muitos pais. Num dia, tiraram a filosofia da educação básica, e como o pensamento era reprimido pela revolução, tudo virou libertação. Pedagogia da Libertação, Teologia da Libertação, Psicologia da Libertação. Deu no que deu. Burrice liberada. Burrice eleita. Para as pessoas de mais de 50 anos, palhaço era o Carequinha. Hoje o povo inteiro é meio palhaço, meio pateta. Ladrão era o Meneghetti e o Bandido da Luz Vermelha; hoje os ladrões tomaram conta dos palácios, da Câmara Federal e de uma cidade que não existia chamada Brasília. Presidente da República era alfabetizado. Experiência com feijão e algodão germinando a gente fazia na escola primária e não em voo espacial, pago a 12 milhões de dólares. Movimento social era reunião dançante. Dia da mentira não era data nacional. Piercing quem usava era índio botocudo. Tatuagem era em criminoso ou abestalhado. Mansão do lago era algo de filme de terror e não lugar onde ministro divide dinheiro. Caseiro não era mais ético do que ministro. Quadrilha era dança junina e não razão de existir de partido político. O Clube dos Cafajestes era um grupo de inofensivos playboys cariocas e não um País inteiro. As pessoas de mais de 60 estão assim meio tontas, mas vão levando. Fumaram e deixaram de fumar. Foram marxistas até descobrir quem eram os caras do PT, e que o marxismo é um grande engodo. Nossa realidade está de fazer vergonha! E o pior, será que alguém ainda sabe o que é “vergonha”? www.revolucionario.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário