O filme do cineasta Jorge Furtado já tem cinco anos (é de 2007), todavia ainda é atualíssimo. Aborda a questão do saneamento básico como uma daquelas coisas que todos os candidatos falam muito, mas que os eleitos pouco fazem. São obras que ficam embaixo da terra e pouco visíveis ao eleitor, não servindo assim de cartão de visita para os políticos mostrarem sua competência. No filme, a prefeitura local ignora há anos os pedidos de uma pequena comunidade para construir uma fossa que vai limpar o rio que passa pela cidade. A obra é ínfima e está orçada em 8 mil reais. É tão pouco que qualquer empreiteiro amigo pagaria sem problemas, mas na comunidade ninguém tem amigos tão generosos. Ao se dirigir pela enésima vez à prefeitura, os representantes da comunidade descobrem que só tem disponível uma pequena verba de 10 mil reais do Governo Federal, mas que não está disponível para obras de saneamento e sim para fazer um vídeo. É com essa grana que eles resolvem fazer a fossa e também o vídeo, esse só pra justificar a liberação do dinheiro.

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