No próximo domingo comemora-se 124 anos de assinatura da lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil. O último país do mundo a acabar com essa forma de dominação e exploração, mesmo passadas cinco gerações, ainda tem as sequelas de mais de trezentos e cinquenta anos da prática. Nesta semana, todos os dias, abordaremos alguns desses aspectos. Hoje, um trecho de artigo do senador Cristovam Buarque.
A cor da Elite (Cristovam Buarque)
Anos atrás, visitando o campus da UnB – Universidade de Brasília com uma professora norte-americana, perguntei qual a diferença da paisagem arquitetônica do nosso campus para um campus nos EUA. Esperei que dissesse: “São parecidos”. Mas, depois de olhar ao redor, ela disse: “Não têm negros”. Respondi que no Brasil, como também nos EUA, os negros não têm boas escolas na educação de base. Ela perguntou: “Por que não adotam cota para negros, como nos EUA?”. Na próxima semana, o Brasil completará 124 anos da abolição sem ter embaixadores negros. Atualmente há no Congresso Nacional apenas um senador negro e 43 deputados federais que assumiram serem afrodescendentes; temos apenas 2% de médicos, 10% de engenheiros e 1% de professores universitários que podem ser considerados negros. Os Estados Unidos já elegeram um presidente negro, mas o Brasil dificilmente terá um presidente negro nas próximas décadas.
Matéria: Professor lauro
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