quinta-feira, 10 de maio de 2012

13 de maio IV - A mulher negra

A situação da mulher negra no Brasil de hoje manifesta um prolongamento da sua realidade vivida no período de escravidão com poucas mudanças, pois ela continua em último lugar na escala social e é aquela que mais carrega as desvantagens do sistema injusto e racista do país. Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento menor, e as poucas que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e ascender socialmente têm menos possibilidade de encontrar companheiros no mercado matrimonial. A mulher negra ao longo de sua história foi a “espinha dorsal” de sua família, que muitas vezes constitui-se dela mesma e dos filhos. O Brasil, que se favoreceu do trabalho escravo ao longo de mais de quatro séculos, colocou à margem o seu principal agente construtor, o negro, que passou a viver na miséria, sem trabalho, sem possibilidade de sobrevivência em condições dignas. Contudo, não podemos deixar de considerar que esse horizonte não é absoluto e mesmo com toda a barbárie do racismo há uma parcela de mulheres negras que conseguiram vencer as adversidades e chegar à universidade, utilizando-a como ponte para o sucesso profissional. A questão de gênero é, em si, um complicador, mas, quando somada à da raça, significa as maiores dificuldades para os seus agentes. (Professora PhD Maria Nilza da Silva – Depto de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina).

Aqui em Mangaratiba, como de resto em todo o estado do Rio de Janeiro, essa realidade pode ser facilmente constatada na composição dos grupos familiares dos bairros mais pobres. É lá que estão as famílias chefiadas, majoritariamente, por mulheres negras ou pardas. Verdadeiras guerreiras, que se desdobram no trabalho doméstico, no cuidado com os filhos e no trabalho externo em busca do sustento familiar. No caminho para a outra ponta da pirâmide social, nota-se o progressivo embranquecimento da população, até que, nos bairros mais abastados, a presença negra só seja notada no grupo dos empregados.

Matéria: Professor lauro

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