Há sessenta anos o mês de agosto é visto com cautela pelo mundo político. Foi nesse mês que vários acontecimentos históricos promoveram reviravoltas importantes no país, como o suicídio de Getúlio, a renúncia de Jânio Quadros ou a passeata dos “cara-pintadas” que acelerou o processo de impeachment de Fernando Collor. Agosto de 2012 não fugirá à tradição. Começa amanhã, no STF, o julgamento do processo do “mensalão” que, qualquer resultado que tenha, acabará com a antiga imagem do Partido dos Trabalhadores como aquele que defendia a ética na política. Para o nosso município, a data marcante será o próximo dia 5, quando a justiça eleitoral terá julgado todos os pedidos de registro de candidaturas a vereador e prefeito.
domingo, 5 de agosto de 2012
Cães e gatos
O comentário, muito apropriado, de um leitor a respeito da educação (a que se aprende em casa) lembra uma prática comum em Itacuruçá, a de moradores das ilhas trazer para o continente filhotes de cães e gatos e abandoná-los na praia. A prática, ainda que menos cruel que a antiga, a de colocá-los em sacos e afogar, é o principal motivo de o distrito sempre estar com suas ruas repletas de cães e gatos vadios. Há moradores que se apiedam com a situação dos animais e acolhem alguns ou os alimentam. Todavia, é preciso que o poder público também interfira na questão de forma clara e educativa, com relação à população, e de forma consequente, no recolhimento desses animais soltos e encaminhamento para unidades de proteção do estado.
Invasão visual
Um passeio pelo município mostra que Itacuruçá e Muriqui são os distritos onde mais acontece a “guerra das placas”. Nota-se que, além das duas campanhas majoritárias, são os vereadores (com mandato) os que mais buscam ocupar todos os espaços visuais. Diante dessa evidência,uma passageira de van, ao circular pelas ruas de Muriqui, comentou: “Ainda bem que placa não vota”.
Agosto
Frase do dia
“Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí. Em vez de tomar chá com torradas ele bebeu Paraty.”(Marchinha de carnaval dos anos 40 do século passado)
sábado, 4 de agosto de 2012
Tela quente
Nessa segunda-feira, Mangaratiba voltou ao cenário nacional com a apresentação do filme “Os mercenários”, na rede Globo. Aquele mesmo, gravado por aqui há alguns anos. Para o restante do país, a exibição não deve ter passado de uma simples atração das noites de segunda. Para nós, moradores, foi como tocar numa velha ferida ainda mal cicatrizada. A atitude deslumbrada dos políticos da época provocou uma das gafes que o artista nunca mais esquecerá, ao dizer numa entrevista de lançamento do filme em julho de 2010: “Lá você pode atirar nas pessoas, explodir coisas e eles dizem ‘Obrigado! E aqui está um macaco para você levar para casa’”. Nas ruas, o que também ainda se pergunta é: Afinal, o que foi feito com a tal doação do Stallone para a construção de uma estátua em sua homenagem? Pelo que sabemos o dinheiro, cerca de sessenta mil reais, foi doado ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. (NR. Bem destinado mas, na nossa opinião, deveria ter sido devolvido ao artista, quando decidiram não mais construir a estátua.)
Repercutindo
Trazendo para a página principal o comentário de um dos leitores do blog a respeito do corte indiscriminado de árvores em Itacuruçá: “Quanto ao homem da serra elétrica, é um verdadeiro absurdo o que ele está fazendo. O prazer com que o dito cujo olha para as árvores ao corta-las, é como se o cara fosse ter um orgasmo. Lastimável. O Capixaba tá perdendo um montão de votos. Aqui em casa já foi para o espaço 4 votos”.
A propósito
Para os que defendem uma ampla renovação na Câmara Municipal o quadro político mostra que serão, no mínimo, cinco novos vereadores (em relação a 2008). O cálculo decorre do fato de três dos atuais Edis não concorrerem à reeleição (Sidinho, Nelson Bertino e Dr. Ruy) e ter havido o aumento do número de vagas de 9 para 11. Assim, se apenas um dos seis vereadores concorrentes não lograr se reeleger, os novos serão maioria.
Farinha pouca
Quando alguém coloca a placa de um candidato em frente de sua casa (após assinar autorização para isso) está dizendo aos seus amigos, vizinhos e passantes, que apoia aquele pretendente. Algumas pessoas preferem não colocar placa nenhuma. Outras aceitam duas, três, de candidatos de diferentes partidos, na tentativa de “não ficar mal com nenhum deles”. Todavia, nesse tempo das escolhas que irão definir o futuro do nosso município nos próximos quatro anos, sempre é bom lembrar a recomendação: “Não trate como prioridade quem te trata como opção.”
Outro mundo
Nos anos setenta do século passado, um economista brasileiro cunhou a expressão “Belíndia”, para caracterizar a existência de dois “Brasis” num mesmo Brasil. Um, o Brasil com recursos, desenvolvimento econômico e altos índices de integração social, como a Bélgica. O outro, um Brasil com as dificuldades, problemas sociais, pobreza e falta de saneamento, típicos da Índia. Ao que parece, vivemos realidade semelhante aqui em Mangaratiba. Enquanto, “na Mangaratiba de lá”, o Portobello Resort & Safári está realizando, de 30 de julho ao dia 5 de agosto, a I Expo Nelore Rio – maior exposição e leilão de gado nelore do Estado; “na Mangaratiba de cá” faltam medicamentos mínimos num posto de saúde. “Na Mangaratiba de lá”, a organização da Expo Nelore Rio estima um volume de negócios de R$ 1,5 milhões durante os dias de evento; “na Mangaratiba de cá”, não há pediatras no PS, a línguas negras dominam a praia. “Na Mangaratiba de lá”, os turistas chegam de helicóptero e bebem champanhe; “na Mangaratiba de cá”, os visitantes chegam de ônibus trazendo isopor com comida e bebida. Os “de lá”, quando vão embora, deixam os cofres dos hotéis abarrotados, sorrisos no rosto dos atendentes e pedidos de “volte breve”. Os “de cá”, quando vão embora, deixam a cidade abarrotada de lixo e um suspiro de alívio no peito dos moradores.
A propósito
Conta quem bem conhece o dia-a-dia dos serviços públicos no município que, na semana passada, as crianças da creche de Itacuruçá ficaram sem almoço até mais de uma hora da tarde porque a despensa estava vazia e os fornecedores um tanto resistentes a entregar mercadorias sem a certeza de receberem, depois, o pagamento devido.
Até quando?
Na manhã desse domingo, um jovem casal passou as últimas horas da madrugada acordados e apreensivos com o estado de saúde do filho de menos de um ano. Esperaram amanhecer, para levá-lo ao Posto de Saúde. Às sete da manhã estavam na porta da unidade de atendimento, mas, não havia pediatra para examinar e medicar a criança. Tiveram de gastar os últimos trocados do pão e do leite do fim do mês para ir ao hospital municipal em Mangaratiba. Lá, finalmente, o filho deles foi atendido e medicado na emergência. Também receberam o receituário com os medicamentos que deverão utilizar nos próximos dias e que deveriam ser retirados no PS de Itacuruçá. Cinco horas depois, no fim da manhã, estavam de volta (meia hora esperando o ônibus de ida; uma hora de viagem; uma hora aguardando atendimento no HMVSB; meia hora esperando o ônibus de volta; uma hora de viagem de retorno). Voltaram ao posto de saúde para buscar os remédios receitados. Foram informados que a farmácia da unidade não os dispunha. Provavelmente, devem ser medicamentos caros e difíceis para o poder público comprar, um antibiótico e um antitérmico (Amoxilina e Dipirona), encontráveis em qualquer farmácia.
Se todos fossem iguais a você
Na última segunda-feira, há uma semana, fiscais do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro) estiveram nos principais terminais rodoviários de Angra dos Reis, verificando as condições dos serviços prestados pelas empresas de ônibus intermunicipais. No total, 115 veículos foram recolhidos e mandados para as garagens. Entre esses, os fiscais apreenderam quatro carros da viação Costa Verde, por conta de pequenas irregularidades como selo vencido ou alteração de características internas. A empresa em questão é a mesma que presta um serviço razoável aqui no nosso município, apesar dos poucos horários e algumas queixas quanto às tarifas. Agora imaginemos. Se quatro veículos da viação Costa Verde foram apreendidos por falta de selos e adesivos, quantos da Expresso Mangaratiba deveriam seguir o rumo do depósito em vista de irregularidades bem mais graves? Provavelmente todos. Será que devemos perguntar, parodiando o antigo bordão: “tem Detro que é cego?”
Contrastes
Frase do dia
“No Rio de lá, luxo e riqueza, no Rio de cá, lixo e pobreza” (Samba-enredo da Mangueira em 2.000)
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